Pesquisar este blog

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Paraíso Perdido - capitulo 6 - Coffee and TV

Não demoraram a chegar a igreja, nem podiam, o caminho não mostrou dificuldades e tiveram que parar duas vezes, nenhuma novidade, uma mulher que devia ter sido linda quando viva mas agora arrastava uma das pernas e tinha um do braços preso ao corpo apenas por um dos tendões e seu cachorro, um poodle sem pêlos e uma boca grande demais para seu diminuto tamanho, mortos (novamente) com um simples gingado da espada e um grito de Bianca ao ver o que seu ex-namorado fazia com as duas laminas afiadas.

Entraram e logo Ricardo sentiu que todos estavam ali, sentiu também duas pessoas a mais. Viu uma garotinha sentada em um dos bancos amparada por Rebecca e também viu a pobre alma que encontrara mais cedo, padre Josué conversava com o homem.

Notou uma comoção e viu Gustavo vir correndo em sua direção, passou por ele e abraçou Bianca forte demais, ele a beijou.

- Graças a Deus – disse – graças a Deus que você está bem meu amor.

- A Deus e ao Ricardo, mas não a você Gustavo – Bianca estava desconcertada – se estava vivo, se estava aqui junto com ele, porque não foi me salvar?

- Não sabia que ele ia te salvar..

- E não ia, que isso fique bem claro – Ricardo interrompeu – meu objetivo era outro, esbarrei nela por coincidência.

- Se soubesse que havia alguma chance de você estar viva – continuou Gustavo - não deixaria passar essa oportunidade de te ajudar.

Ricardo notou uma onda de entendimento repentino em Gustavo, ele olhou para Bianca seus olhos encontraram apenas um olhar de desprezo.

- Não vai me dizer que ele é O Ricardo, o próprio, o que sua mãe e seu pai tanto falavam. Agora entendo, e não acredito que tenha sido coincidência ele ter te encontrado.

- Já falei que meu interesse naquele bairro era outro, não devo explicações a ninguém muito menos a você, se contente que eu trouxe sua namoradinha viva e ilesa, além do mais isso aqui não é nenhuma novelinha das sete. – Ricardo se dirigiu ao local onde o padre conversava com Julio, deixou que os pombinhos se entendessem, ela não era sua responsabilidade mais, novamente a história se repetia.

Ricardo viu que o homem estava usando óculos escuros, mas que de alguma maneira ele estava olhando fixamente os seus.

- Eu te vi mais cedo Ricardo, perto do condomínio onde morava.

- Eu sei, me lembrei de você no momento que vi, sorte nossa eu não possuir uma arma de fogo, senão creio que não estaríamos conversando agora.

- Pelo que aprendi hoje, provavelmente não faria muita diferença você ter ou não uma arma de fogo.

Nenhum comentário: