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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Paraiso Perdido - Capítulo 5 - Sympathy for the devil

- É incrível não é? – O homem no banco da praça parecia extasiado.

- O que é incrível? – Não compartilhando de sua alegria a mulher apenas o olhava, tentando se lembrar quando fora a ultima vez que o havia visto sorrir.

- Tudo isso, toda essa nossa história, por muito tempo não nos vimos, há muito mais tempo ainda não o vejo, e hoje, neste dia sem nada demais nos encontraremos novamente, neste dia sem graça meu futuro será decidido, meu e de todos os que vivem aqui.

Ela se levantou e caminhou um pouco para perto do lago, na metade do caminho se irou:

- Você não entendeu nada ainda não é? – seu olhar era carinhoso, como o olhar das mães – todo este tempo e ainda não entendeu. Não sei se tenho pena ou fico aliviada por isso.

- Sem sermões, por favor. Volte aqui, sente-se do meu lado hoje é meu dia, não tem como nada sair errado, quando seu filho chegar nós faremos o que precisa ser feito, meu ponto de vista será confirmado e só gostarei de receber as desculpas por todo esse inferno que passei. Toda a calúnia, todo o ódio que a mim é dirigido, quando eu, na minha humilde subserviência continuo a fazer o meu trabalho.

- Humilde você não é, não mesmo, este é um dos motivos de eu ter vindo, não perderia por nada o SEU pedido de perdão, quem sabe vocês acabam se entendendo e a coisa melhora para todo mundo, essa é minha esperança.

O homem continuava sentado, como um trabalhador exausto que recebia seu descanso tardio, a mulher continuou em pé o fitando, era tão bonito que lembrava seu filho, gostava dele, do que ele já fora, antes mesmo de aceitar a vontade do pai de seu filho, e de ela própria se ver no meio de assuntos tão sérios. Incrível era, com certeza, incrível como a devoção absoluta gera o fanatismo e o fanatismo gera doutrinas e idéias tão divergentes das originais, não era isso que salvaria o mundo, não uma crença que se perdeu há muitos anos nas mãos de tantos que dela se aproveitaram.

Por fim ela se sentou ao lado do homem louro que poderia ser gêmeo de seu filho não fossem as cores contrárias de seus olhos, pele e cabelos, a fisionomia era a mesma, tão serena e tão bonita, tão cheia de mistérios que ela mesma nunca decifrara por completo. Pensando em seu filho sentiu um calor no coração, e olhou para a direita, na outra extremidade do parque ela o viu, o homem louro também, seu sorriso esmoreceu um pouco, mas depois se alargou, não havia um que não se sentisse alegre na sua presença.

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