- É incrível não é? – O homem no banco da praça parecia extasiado.
- O que é incrível? – Não compartilhando de sua alegria a mulher apenas o olhava, tentando se lembrar quando fora a ultima vez que o havia visto sorrir.
- Tudo isso, toda essa nossa história, por muito tempo não nos vimos, há muito mais tempo ainda não o vejo, e hoje, neste dia sem nada demais nos encontraremos novamente, neste dia sem graça meu futuro será decidido, meu e de todos os que vivem aqui.
Ela se levantou e caminhou um pouco para perto do lago, na metade do caminho se irou:
- Sem sermões, por favor. Volte aqui, sente-se do meu lado hoje é meu dia, não tem como nada sair errado, quando seu filho chegar nós faremos o que precisa ser feito, meu ponto de vista será confirmado e só gostarei de receber as desculpas por todo esse inferno que passei. Toda a calúnia, todo o ódio que a mim é dirigido, quando eu, na minha humilde subserviência continuo a fazer o meu trabalho.
- Humilde você não é, não mesmo, este é um dos motivos de eu ter vindo, não perderia por nada o SEU pedido de perdão, quem sabe vocês acabam se entendendo e a coisa melhora para todo mundo, essa é minha esperança.
O homem continuava sentado, como um trabalhador exausto que recebia seu descanso tardio, a mulher continuou em pé o fitando, era tão bonito que lembrava seu filho, gostava dele, do que ele já fora, antes mesmo de aceitar a vontade do pai de seu filho, e de ela própria se ver no meio de assuntos tão sérios. Incrível era, com certeza, incrível como a devoção absoluta gera o fanatismo e o fanatismo gera doutrinas e idéias tão divergentes das originais, não era isso que salvaria o mundo, não uma crença que se perdeu há muitos anos nas mãos de tantos que dela se aproveitaram.
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