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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Paraíso Perdido - Capítulo 4 - Times Like These

Surpresas apenas pelo motivo de surpreender não agradavam nem um pouco Ricardo, ele traçou um plano lógico e botou em prática, com Bianca lhe acompanhando achou sensato partirem imediatamente, não gostaria de arriscar uma noite ali. Saíram com o sol a caminho de seu leito, o relógio de Bianca marcava 4:15, mas conhecendo o hábito inexplicável de adiantar o relógio que sua ex-namorada possuía, Ricardo calculou serem por volta das quatro, good, very good indeed , como não hesitaria em dizer na sala de aula de inglês.

Seguiram pela rua que ele já conhecia, cada ponto cego, cada reentrância de muro, chegaram rápido na avenida, embora tenham ouvido alguns barulhos muito estranhos vindo de algumas casas, e em algumas delas terem visto seus habitantes rondando os quintais, “procurando as chaves”... ele riu, esse ultimo pensamento lhe devolveu um pouco do humor seco que sempre possuiu. Teve certeza de ter visto um senhor numa janela gradeada, ele estava vivo, mas catatônico, seu olhos vazios e o corpo pendendo de um lado para ao outro, na área, logo em frente a janela, jaziam os corpos de um cachorro, uma senhora e uma moça, pouco mais nova que Bianca, todos com um buraco de bala na cabeça. A gente faz o que precisa ser feito, e agüenta as conseqüências de nossas ações..

Após chamarem o senhor catatônico por cerca de cinco minutos, oferecendo ajuda e abrigo, Ricardo decidiu abandoná-lo, não tinha tempo para esse tipo de coisa, mesmo que valesse a pena ter uma arma de fogo para “facilitar” a caminhada.

O ditado estava correto, a descida foi rápida, passando pela avenida, agora com a cabeça mais leve e sem a preocupação da subida, Ricardo pode ver várias coisas interessantes, a primeira foi uma moto, arriscou, sem gasolina, seguiram a pé então, conversaram pouco ou quase nada, o silencio de dois anos prevaleceu, não perguntaram sobre as respectivas famílias, não perguntaram nada, apenas seguiram um atrás do outro, como o homem de preto e o pistoleiro.

Um comentário:

Tata disse...

Às vezes o silêncio é mais precioso do que a conversa. Mas também traiçoeiro.