Eu poderia ter começado esta história de várias maneiras diferentes, poderia ter seguido a linearidade que tanto agrada o leitor comum, ou poderia ter feito em fragmentos, contando e fornecendo doses homeopáticas deste relato de ficção, mas optei pela comodidade da falta de linearidade com uma pitada da fragmentação narrativa. Não existe uma história de caos que não seja anárquica no que diz respeito a padronagem, enquanto digito isso meu dedo se move mais rápido que as palavras que tento digitar, ocasionando um ou outro erro de digitação que muitos usuários de computador já conhecem, o “a” que aparece sempre antes do que devia, ou algumas letras que entram na onda pelo simples motivo de estarem perto das palavras escolhidas para compor esta introdução.
Assim como essas letras, muitas pessoas que participam desta história (você me pergunta se não seriam personagens? E eu respondo que são pessoas, ou personalidades de pessoas que todos conhecemos) enfim, muitas destas pessoas foram apenas capturadas neste turbilhão de pensamentos que gerou o mundo onde pretendo discorrer sobre a sobrevivência em meio ao caos, a sobrevivência humana e do registro da humanidade, do temeroso instinto e de como nossas escolhas invariavelmente nos perseguem pela vida, temos religião velada, filosofia barata e aventura/ação nos moldes do cinema, criaturas fantásticas e seres humanos mais fantásticos ainda. Deus, o diabo, anjos, vampiros, lobisomens, os inevitáveis zumbis, e seres humanos novamente, mas que podem ser adicionados na categoria dos monstros e criatura mitológicas descritas a pouco.
É necessária certa familiaridade com a cultura popular do final do século 20 e início do 21 para a total compreensão de algumas referencias. Originalmente os primeiros "relatos" de fatos ocorreram entre março e agosto de 2006 quando escrevi o primeiro prólogo deste que pode ou não ser um livro completo, e este foi apenas o primeiro de vários fragmentos que me assombraram por dias, semanas, até serem colocados no computador, foram necessárias várias relidas para que a história se tornasse fluída e não tão piegas ou repetitiva. Este não é um guia de leitura, mas sim uma foreword de quem já leu muitos livros que não foram verdadeiros com sua lombada, ou resenha, é dica de um leitor que se aventurou a entreter leitores e gostaria que isso fosse feito da maneira mais honesta possível. Não existe salvação nestas palavras (*Stephen King), não existe significado oculto, é uma narração fictícia de uma história que ainda vai tomar certo tempo da minha vida para ser concluída, entre altos e baixos, alegrias e tristezas e que só foi/será escrita pela simples vontade de contar algo diferente, mesmo que com temas repetidos.
Parte I - O FIM - Prólogo I
Quieto como qualquer domingo, com a exceção de que era uma terça, o dia avançou como de costume, o sol estava forte e o vento agradável, muito vento e sol, chuva e toda uma infinidade de peripécias meteorológicas que não se via há muito tempo, para muitos que não presenciavam um verão quente ou um inverno frio há algum tempo, esta primavera era muito bem vinda, as árvores estavam mais verdes e algumas até davam frutos. Flores cobriam as praças e as ruas, sim as ruas, os carros parados aos poucos começavam a ser tomados por mato e trepadeiras, não era uma selva ainda, mas as rodas já estava se esverdeando. O cenário seria de cartão postal da secretaria de turismo caso o motivo desta ocupação natural não fosse a falta da intervenção humana, havia mais de um ano que nenhuma pessoa sequer podava uma planta, decepavam cabeças mas não cortavam uma folha de nada. fica difícil cuidar do mato quando sua vida está ameaçada. No meio da avenida principal estava o canteiro onde cresciam grandes palmeiras, frondosas e austeras as palmeiras continuavam sua jornada acima sem sequer perceber a falta dos homens que antes limpavam suas folhas secas.
O céu azul, com apenas algumas nuvens exibia uma vivacidade que fez muitos dos que sobreviveram pensarem se o ser humano era mesmo necessário, se todas as suas guerras, invenções e luxos, valiam o fato de nunca terem visto céu mais azul. Dos poucos que sobreviveram, ou se tinha notícia, muitos passavam suas horas de tranqüilidade mirando o azul e imaginando que nada estava errado, que os gemidos e sons intermináveis que ouviam não eram nada e que não havia uma horda de criaturas infernais querendo devorá-los bem ali a um passo do portão de onde se refugiavam.
O mundo acabou (do jeito que nós o conhecíamos) em 16 de Julho de 2006, o dia em que tudo deu errado e os mortos tomaram a terra, mas ela nunca fora mais linda nem mais admirada do que daquela dia, até quando tudo acabou de verdade.
Se gostarem, continuem lendo, indiquem, vou por um por dia, esse primeiro não tem trilha sonora definida, mas os próximos terão.
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