Poucas coisas me irritam mais do que a falta de propósito, seja ela em qualquer um dos milhares aspectos do nosso cotidiano, tudo o que não tem propósito é nulo, desmerecedor de atenção ou basicamente inutil.
Na minha ainda em desenvolvimento carreira de professor, encontrei diversos alunos sem propósito, a maioria se escondendo atrás daquela antiga reclamação ou justificativa, "estou aqui porque sou obrigado", como se estudar e aprender fosse a maior das torturas e o simples reconhecimento disso bastasse para que o professor se afeiçoasse e "pegasse leve" com a criatura.
De maneira geral sou pouco impressionável, só tenho um tipo de preconceito (contra a ignorância) e acredito fielmente em meus princípios, mas se tem algo que me abala profundamente é ver alguém gastando dinheiro com algo que não tem propósito,( e voltando ao meu ganha pão) uma pessoa que paga por um curso de idiomas que não aproveita, aproveitou, ou aproveitará. Sempre soube que o inglês é uma das línguas (senão a mais) fáceis do mundo, no sentido geral, na pouca complexidade de seus tempos verbais e nas regras aplicáveis em todas as sufixações e prefixações, as exceções não merecem atenção pois na minha opinião exceções sempre são aprendidas mais facilmente que as regras...
Voltando...
A falta de propósito para o aprendizado do que quer que seja deve ser o maior desperdício energético/intelectual/temporal do mundo, aprender algo "só" pelo prazer de aprender, sem qualquer esperança ou engajamento na utilização do mesmo é o fim da picada, quando se envolve uma soma monetária razoável a isso, é quase um pecado.
Poucas pessoas se conhecem completamente e assumem seus defeitos, destas pessoas que assumem seus defeitos, poucas reconhecem seus limites, das que reconhecem seus limites menos ainda ficam longe de se expor a comprovação da sua inutilidade
mas algumas delas fazem o oposto, infelizmente...
O professor que acha que pode ensinar tudo a todos, não se encaixa nas linhas acima,
ou porque não existe, ou porque não se enxerga, qualquer educador decente sabe reconhecer um caso perdido, o que não sabe tá lendo muita Pedagogia do Amor...
Do mesmo jeito que eu não aprendo cálculos avançados em matemática tem gente que não aprende inglês, português, alemão. não sabe interpretar uma poesia, ou entender um texto, não cruza referências em seu cérebro (sem propósito e mal utilizado) não entende piadas do Saturday Night Live, ou Monty Phyton, acha Níquel Náusea um pé no saco, e que o Caetano é rei, Chico é Deus e filme bom só o Bergman faz...
algumas pessoas não nasceram para aprender ou evoluir, ou ter seu mundo mudado por idéias, ou mudar o mundo com as suas... trocando em miúdos e utilizando o BE como âncora, algumas pessoas não nasceram para ser, mas sim apenas estar.
simples assim, cruel assim.
Um comentário:
Destruiu nesse post!
E tenho que concordar com o que você disse. AINDA mais na parte onde a pessoa gasta dinheiro com algo que está fazendo por obrigação. E é nisso que está o ganha-pão das faculdades. São poucas pessoas que fazem uma graduação com afinco. A maioria faz porque "Hoje em dia precisa ter uma faculdade no currículo".
Eu, por exemplo, não estou fazendo a minha primeira opção de faculdade, mas é um curso do qual eu gosto! Aprendi e continuo aprendendo muito aqui e é algo que sempre usarei na minha vida. Agradeço a minha irmã por ter me indicado esse curso. Mesmo tendo as dificuldades em Exatas, eu estudo, me dedico e passo. O que está faltando para as pessoas são elas desafiarem suas próprias vontades.
Se a pessoa está fazendo por obrigação, mas sabe que é necessário (como um curso de idioma), o ponto é se desafiar a tirar de letra, se desafiar a ir bem em algo que primeiramente não gosta. Quantas pessoas conheci que começaram fazendo algo que não gosta e depois que se dedicaram viram uma afinidade grande com o curso. O segredo está em dar uma chance, desafiar a vontade.
Bem, é isso... parar de falar antes que fique extenso.
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