
"Ah Okami Amaterasu, origin of all that is good and mother to us all!"
Poucos títulos do Nintendo Wii saem da fórmula diversão > qualidade gráfica, por sorte, ou coincidência a famosa CAPCOM (velha companheira de muitos no mundo dos games) sempre tem algo que nos anima a perseverar.
Lançado originalmente para o PS2, Okami mistura elementos clássicos com a interatividade tão prometida, mas raramente vista no mundo dos games. A versão do Wii vai além, já que interatividade física é o mote desta pequena maravilha, que só gamers de verdade conseguem usufruir.
O jogo conta a história da deusa do Sol Amaterasu, encarnada em uma loba branca e que tem, como o destino de todos os deuses do light side of the force, combater o mal, neste caso, Orochi [Spoiler: pelo menos é o que parece no começo], dragãozinho chato de matar (a deusa enfrente o mesmo em 3 batalhas no jogo). O companion da deusa é um sprite, ou poncle, chamado Issun, um artista itinerante que quer aprender as 13 técnicas de pincel dos deuses (ponto máximo de interatividade do jogo e algo que só havia visto em TRINE, que foi lançado anos depois), todos os diálogos são feitos através dele já que a loba não fala, e só Issun consegue ler seu coração.
As 13 Técnicas de pintura ou de pincel, são desenhos que a deusa possuía e que a permitiam adicionar elementos ao mundo utilizando nada menos que um pincel e uma tela (a tela é o próprio mundo). Cada técnica é originária de um dos signos do horóscopo chinês, precisam ser resgatadas, e quando adquiridas interagem de maneira diferente com o mundo, seja adicionando bombas, vitórias-régias, cipós, ou controlando os elementos da natureza, o bom uso destas pode fazer a diferença entre sucesso e fracasso na saga de mais de 30 horas do jogo (terminei com 38h, mas acho que dá pra fazer melhor) entre vilarejos rurais e grandes planícies, praias, templos subterrâneos, montanhas, do fundo do oceano, passando para um continente congelado e subindo ao reino dos Celestiais. Okami é tão completo que tem até viagem no tempo, o que me faz lembrar que não tinha me divertido totalmente com um RPG (na minha opinião, completo), desde Chrono Trigger / Cross, e isso faz pelo menos dez anos.
Os gráficos são de babar, pois fogem do 3D cru e de texturas nem sempre satisfatórias, para uma espécie de arte japonesa/chinesa em movimento, contornos fortes e texturas animadas, como o disco solar de Amaterasu (uma das 15 armas do jogo), as armas também são um ponto alto pois todas possuem uma qualidade absurda, discos que se desmontam e montam nas costas da loba, rosários com qualidades elementais que giram infinitamente ao redor do pescoço da protagonista, combate em tempo real, inteligente e que requer conhecimento do inimigo para melhor estratégia de ataque, e comédia, já que é humana ou divinamente impossível se viajar com um companion que seja sério. No caso de Issun, a mistura foi algo entre dois personagens de Inuyasha, já que ele tem a forma do Myuga e libido do Miroku, e até a própria loba tem os traços caninos de Sesshoumaru.
O jogo permite o replay, conservando algumas armas e poderes adquiridos já que a cada boa ação a deusa recebe a fé (praise) do mundo, estes pontos de praise são utilizados para upgrade de vida, potes de tinta, carteira, e são adquiridos alimentando animais através do extenso mundo, destruindo portões malignos e revitalizando áreas através das técnicas de blossom (florescendo árvores e mudinhas de sakura)
O Jogo exige raciocício e conhecimento de língua inglesa, paciência para os diálogos, contos e side-quests, mas é um refúgio de qualidade e bom gosto nesta indústria que cada vez mais se preocupa com a diversão instantânea e visual, sem levar em conta os velhos valores que as maiores do ramo implantaram em nosso já seletivo radar gamer.
ouvindo Kimi no machi made.
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