O parque era movimentado, geralmente, mas naquela tarde estava vazio, ninguém mais andava por seus caminhos pavimentados, não havia crianças no playground, nem pessoas levando seus pequenos cachorros para passear ou grandes cachorros dando uma volta com seus donos, o dia estava claro e morno, uma brisa leve mas fria anunciava a tempestade, talvez este o motivo do relativo abandono do parque.
De um canto ouviu-se um farfalhar de asas, e os patos que estavam no lago voaram, em bando, davam duas voltas no parque e voltavam, sempre, todos os dias de suas vidas, hoje não, saíram e foram embora, em menos de cinco minutos eram apenas pontos negros no céu azul-acinzentado daquele fim de tarde de verão. O vento brincou, lambeu o solo e mexeu com as folhas, que como que movidas por uma música que só elas ouviam, dançaram, rodopiaram, fizeram evoluções e por fim se deitaram novamente, exaustas. Em alguns pontos do lago, pequenas ondulações denunciavam a localização das também pequenas tartarugas que ali viviam, um bom observador poderia notar seus focinhos fora d’água, olhando para cima, como nadadoras soberbas e cheia de orgulho, sem se importarem com o que se passava abaixo, assim como várias pessoas o fazem no dia a dia. Um cachorro latiu, uma pomba rulhou, o sinal da escola tocou, e todo o silencio foi tomado pelo ruído característico das crianças correndo para casa, era o último dia de aula. Muitas cruzaram o parque, outras tomavam a direção oposta, algumas paravam e se sentavam em algum banco esperando os pais, ou trocando figurinhas com os amigos, em menos de dez minutos o silencio voltou, e permaneceu, a luz morna do sol dava uma sensação de moleza e aconchego, mas os patos nunca mais voltaram..

