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sábado, 31 de julho de 2010

A Última Tarde

O parque era movimentado, geralmente, mas naquela tarde estava vazio, ninguém mais andava por seus caminhos pavimentados, não havia crianças no playground, nem pessoas levando seus pequenos cachorros para passear ou grandes cachorros dando uma volta com seus donos, o dia estava claro e morno, uma brisa leve mas fria anunciava a tempestade, talvez este o motivo do relativo abandono do parque.

De um canto ouviu-se um farfalhar de asas, e os patos que estavam no lago voaram, em bando, davam duas voltas no parque e voltavam, sempre, todos os dias de suas vidas, hoje não, saíram e foram embora, em menos de cinco minutos eram apenas pontos negros no céu azul-acinzentado daquele fim de tarde de verão. O vento brincou, lambeu o solo e mexeu com as folhas, que como que movidas por uma música que só elas ouviam, dançaram, rodopiaram, fizeram evoluções e por fim se deitaram novamente, exaustas. Em alguns pontos do lago, pequenas ondulações denunciavam a localização das também pequenas tartarugas que ali viviam, um bom observador poderia notar seus focinhos fora d’água, olhando para cima, como nadadoras soberbas e cheia de orgulho, sem se importarem com o que se passava abaixo, assim como várias pessoas o fazem no dia a dia. Um cachorro latiu, uma pomba rulhou, o sinal da escola tocou, e todo o silencio foi tomado pelo ruído característico das crianças correndo para casa, era o último dia de aula. Muitas cruzaram o parque, outras tomavam a direção oposta, algumas paravam e se sentavam em algum banco esperando os pais, ou trocando figurinhas com os amigos, em menos de dez minutos o silencio voltou, e permaneceu, a luz morna do sol dava uma sensação de moleza e aconchego, mas os patos nunca mais voltaram..

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Conversa mole...


Tem duas coisas que eu odeio no ramo literário, preconceito, e gente que escreve "difícil" ;)

Não sei o motivo que leva alguém a se comunicar de forma tão rebuscada, que acaba até parecendo outra língua. O bom texto depende do que está nele e não de como ele é escrito, claro que tem que ser em bom português, não precisa ser muuuuito culto, mas também não precisa ser arregaçado, simplesmente o que se vê, se lê e se entende, sem a necessidade de florear o que dependendo do tema já é um jardim de coisa boa de se ler.

"Ah, mas a beleza da língua está no bom uso de seu extenso vocabulário..."

Há algum tempo o José Simão começou a fazer piada contra o dito tucanês, mas alguém já parou pra pensar que a piada não é como se falam coisas simples de maneira pomposa, mas sim QUEM fala coisas simples de maneira pomposa? É fácil dizer porcaria com palavras bonitas, difícil é se fazer entender com simples e/ou poucas palavras....

como diria o FN :)

"Minha ambição é dizer em dez frases o que um outro qualquer diz num livro"

or something like that....


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Review Tardia: OKAMI


"Ah Okami Amaterasu, origin of all that is good and mother to us all!"



Poucos títulos do Nintendo Wii saem da fórmula diversão > qualidade gráfica, por sorte, ou coincidência a famosa CAPCOM (velha companheira de muitos no mundo dos games) sempre tem algo que nos anima a perseverar.

Lançado originalmente para o PS2, Okami mistura elementos clássicos com a interatividade tão prometida, mas raramente vista no mundo dos games. A versão do Wii vai além, já que interatividade física é o mote desta pequena maravilha, que só gamers de verdade conseguem usufruir.

O jogo conta a história da deusa do Sol Amaterasu, encarnada em uma loba branca e que tem, como o destino de todos os deuses do light side of the force, combater o mal, neste caso, Orochi [Spoiler: pelo menos é o que parece no começo], dragãozinho chato de matar (a deusa enfrente o mesmo em 3 batalhas no jogo). O companion da deusa é um sprite, ou poncle, chamado Issun, um artista itinerante que quer aprender as 13 técnicas de pincel dos deuses (ponto máximo de interatividade do jogo e algo que só havia visto em TRINE, que foi lançado anos depois), todos os diálogos são feitos através dele já que a loba não fala, e só Issun consegue ler seu coração.

As 13 Técnicas de pintura ou de pincel, são desenhos que a deusa possuía e que a permitiam adicionar elementos ao mundo utilizando nada menos que um pincel e uma tela (a tela é o próprio mundo). Cada técnica é originária de um dos signos do horóscopo chinês, precisam ser resgatadas, e quando adquiridas interagem de maneira diferente com o mundo, seja adicionando bombas, vitórias-régias, cipós, ou controlando os elementos da natureza, o bom uso destas pode fazer a diferença entre sucesso e fracasso na saga de mais de 30 horas do jogo (terminei com 38h, mas acho que dá pra fazer melhor) entre vilarejos rurais e grandes planícies, praias, templos subterrâneos, montanhas, do fundo do oceano, passando para um continente congelado e subindo ao reino dos Celestiais. Okami é tão completo que tem até viagem no tempo, o que me faz lembrar que não tinha me divertido totalmente com um RPG (na minha opinião, completo), desde Chrono Trigger / Cross, e isso faz pelo menos dez anos.

Os gráficos são de babar, pois fogem do 3D cru e de texturas nem sempre satisfatórias, para uma espécie de arte japonesa/chinesa em movimento, contornos fortes e texturas animadas, como o disco solar de Amaterasu (uma das 15 armas do jogo), as armas também são um ponto alto pois todas possuem uma qualidade absurda, discos que se desmontam e montam nas costas da loba, rosários com qualidades elementais que giram infinitamente ao redor do pescoço da protagonista, combate em tempo real, inteligente e que requer conhecimento do inimigo para melhor estratégia de ataque, e comédia, já que é humana ou divinamente impossível se viajar com um companion que seja sério. No caso de Issun, a mistura foi algo entre dois personagens de Inuyasha, já que ele tem a forma do Myuga e libido do Miroku, e até a própria loba tem os traços caninos de Sesshoumaru.

O jogo permite o replay, conservando algumas armas e poderes adquiridos já que a cada boa ação a deusa recebe a fé (praise) do mundo, estes pontos de praise são utilizados para upgrade de vida, potes de tinta, carteira, e são adquiridos alimentando animais através do extenso mundo, destruindo portões malignos e revitalizando áreas através das técnicas de blossom (florescendo árvores e mudinhas de sakura)
O Jogo exige raciocício e conhecimento de língua inglesa, paciência para os diálogos, contos e side-quests, mas é um refúgio de qualidade e bom gosto nesta indústria que cada vez mais se preocupa com a diversão instantânea e visual, sem levar em conta os velhos valores que as maiores do ramo implantaram em nosso já seletivo radar gamer.


ouvindo Kimi no machi made.

sábado, 24 de julho de 2010

Lá e de volta outra vez....

Eu sempre tive uma ligação muito íntima com todo o tipo de arte de contar histórias. Talvez por gostar muito mais de ver super heróis lutando contra vilões do que correr atrás de uma bola, talvez por achar (e muita gente se perde nisso) que a ficção é muito mais interessante que a realidade.

Conforme o tempo foi passando, eu percebi que a ficção é uma parte tão importante da vida quanto a realidade, e não consigo imaginar meu dia a dia (que é meio corrido) sem uma pontinha de storytelling para acalmar meus nervos, seja anime, video game, filme, série, ou livro, é meu calmante natural e minha única dependência.

Há três anos atrás quando inaugurei este blog, foi para extravazar idéias e histórias que estavam me deixando maluco, no bom sentido, e para tentar alcançar uma notoriedade que na época era boba, mas hoje evoluiu para idiota.

Quem escreve
para os outros se perde mas quem escreve também para si mesmo se encontra.

Espero voltar com tudo, mas só na segunda-feira :)


ouvindo Vermillion pt2