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quinta-feira, 14 de junho de 2007

“A única coisa necessária para o mal triunfar, é um homem de bem não fazer nada




Este pode ser o 1º capitulo de alguma coisa......... quem sabe.....
é longo, então, ctrl+c e ctrl+v no Word if u want


As palavras do padre Josué ecoavam pela cabeça de João naquele corredor imundo onde travava sua luta pela sobrevivência. Mas pra quê? Se perguntava, estava perto do tocar das trombetas, não podia fazer muito pela sua alma, apenas o trabalho sujo que os padres não faziam mais, apenas limpar a rua das aberrações que apareciam por estes dias, seu rifle estava descarregado mas não havia tempo, colocou-o nas costas e sacou as duas automáticas a tempo de acertar dois lobisomens na cabeça, balas de prata, benditas balas de prata, antes de tocarem o chão as bestas já eram humanas novamente, era isso que o abalava.
“Tudo começou num dia comum de setembro”, dizia uma voz de mulher no jogo de vídeo game que seu filho adorava. Na vida real tudo havia começado em julho, mas as aberrações não eram muito diferentes das que Henrique matava em seu playstation, os mortos tomaram a terra, não só eles, mas toda a corja do inferno, muita gente indo pra lá, ocasionou um lotação não prevista, na verdade a bíblia já dizia algo parecido, mas ninguém nunca levou o santo livro a sério. Os mortos surgiram numa noite e se espalharam como praga, todos que morriam automaticamente voltavam, não havia nenhuma contaminação viral, nem nada necromântico, apenas o inferno chegara na sua cota, e ninguém no céu parecia interessado em resolver o assunto.

Nos longos três meses de batalha, desde que era um simples dono de loja até se tornar um exterminador profissional, ou isso ou morrer, João conhecera todos os seus medos infantis cara a cara, matara vampiros (cortem a cabeça), lobisomens (bala de prata na cabeça), mortos vivos, ou zumbis eternizados por George Romero, (bala na cabeça, ou separe a cabeça do corpo), sua mente funcionava como um grande manual de faça você mesmo, matara mulheres, entre elas a sua, e crianças, seu filho também, isto com certeza abalara profundamente João, mas estava vivo ainda, e aquelas coisas só se pareciam com sua esposa e filho.
Nada mais se mexia no beco onde ele estava caído no chão, João se levantou, retirou sua espada da parede onde fincara com força, pegou o machado caído e o guardou, uma mistura de guerreiro medieval/samurai/pistoleiro, sua roupa era de couro grosso, umas três camadas, o suficiente para resistir a uma bala, mas não a uma mordida de lobisomem, os bichos eram fortes, vira Roberto ser feito em pedaços por cinco deles, sua “armadura” não oferecera nenhuma resistência as presas das feras. Sabia que tinha muito trabalho a fazer e só podia contar com suas armas, a última vez que ouvira comunicação no rádio fora de manhãzinha, nenhum contato depois disso, Paulo, Joana, Rebecca, Gustavo e o garoto Michael, nenhum deles havia se comunicado por todo este tempo, provavelmente teria de dar fim neles quando os encontrasse.
Saiu pra a rua e se deteve por um instante, ouviu um barulho de passos apressados, sacou novamente as pistolas, conferiu a munição e esperou na sombra do prédio que divisava o beco, ainda era início de tarde, mas as nuvens de fumaça dos vários incêndios na cidade tornaram o dia quase noite, na usina termoelétrica poucas almas vivas, confinadas, tentavam manter a energia ativa, não por escolha é claro, mas por sua própria necessidade, um dos postes se acendeu, lançando um pequeno halo de luz, dentro dele uma menina, ofegante, a criança o viu, mesmo olhando apenas em sua direção ele sentiu dois olhos opacos caírem sobre sua alma, a criança foi se aproximando sem correr muito, com medo, João cheirou o medo nela, era apenas uma criança mesmo. Quando chegou mais perto da menina, ela se jogou em seus braços, seus olhos eram leitosos, mas de alguma maneira ele sentia que ela o olhava.

- Por favor – disse a menina – não me deixe sozinha, já é difícil demais correr por ai em meu estado, mesmo não vendo essas coisas horríveis eu as sinto, como se estivessem em mim.
- Você fala bem demais para ser apenas um menininha, você tem quantos anos, oito, sete?
- Tenho 16, meu corpo não se desenvolve, ao contrario de minha mente, passei os últimos cinco anos da minha vida no hospital da base, na ala psiquiátrica, sabia que isso iria acontecer, sonhei muitas vezes, mas ninguém acreditou.
- Você estava correndo do quê?
- De tudo, não encontrei nada vivo desde que saí de lá, mas eu vejo almas, elas não podem fazer nada, mas assustam mesmo assim.
- Almas?
- Isso, os monstros que vocês e seus amigos matam, são pessoas, suas almas ficam presas aqui, o céu está fechado, o inferno também, acho que a terra virou o purgatório, mas também acho que sempre foi algo parecido com isso.
- Você parece saber de muita coisa, qual o seu nome menina?
- Estela, sei disso tudo desde que nasci, sou o que muita gente chama de superdotada, na verdade acho mais uma maldição do que qualquer coisa, mas pelo menos serve para algo, sei que você é um homem bom, e que vai fazer tudo pra me proteger.
- Nisso você tem razão, mas vamos seguir adiante, a igreja fica a menos de cinco quilômetros daqui, e se não for pedir muito, se você puder, pode me avisar quando sentir perigo.
- Pode deixar, você pode me carregar nas costas, eu corri por mais de dez quilômetros, minhas pernas estão acabadas.
- Acho que vai ser difícil, você vê as armas nas minhas costas, posso precisar delas, na verdade a menos de meia hora eu usei todas quase de uma vez só, se te carregar talvez fique muito lento para nos proteger.
- Tudo bem, você tem um pouco de água para me dar?
- Tenho sim, quer comer alguma coisa?
- Se você tiver, não vejo comida desde antes de ontem, me trancaram na ala, e me deixaram sem nada.
- Tome – João estendeu uma moringa e um pedaço de pão para Estela – eu não estou com fome, e daqui a pouco chegaremos na igreja, lá tem suprimento para meses.
- Obrigada João – Estela o olhou com cara de quem acabara de cometer um arte – me desculpe, eu não devia ler a mente das pessoas assim.
- Não tem problema, só não vá muito fundo, tem coisas aqui – disse colocando o dedo indicador na testa – que seria melhor nem eu me lembrar.
Seguiram pela rua cheia de lixo e carros vazios, um cenário de guerra, mas inteiro como nenhum que foi vitima de bombardeios ficaria, corpos mutilados, decapitados, cachorros sem pele, grandes aves sem pena, e uma névoa que começava a tomar conta de tudo, percebia vários vultos mas não sabia ao certo o que eram, Estela caminhava com dificuldade mas não dava nenhum sinal de perigo, sem aviso estacou, João percebeu que toda a sua pele se arrepiava.
- Eles estão vindo – disse Estela, seus olhos estavam brancos como leite – muitos deles, ainda estão longe mas nos alcançarão se não corrermos.
- A igreja está perto, quatro quarteirões – sem pensar no que fazia João passou os braços pela cintura da menina e a colocou nas costas – segure-se, vai ser um pouco acidentado o trajeto.
João correu, como nunca correra, Estela lhe dava coordenadas do avanço inimigo, no espaço em que correu um quarteirão, segundo ela, eles haviam avançado dois, no quarteirão da igreja ouviram os gritos, pareciam gafanhotos mais algum bando de gralhas, o som tomou conta de tudo, não podiam nem ouvir seus próprios pensamentos.
- Entre no terreno da igreja, rápido – disse Estela – eles não podem entrar lá.

Sem discutir João se esforçou o máximo que pode, sentiu o tumulto atrás de si, menos de cinqüenta metros, correu o ultimo meio de quarteirão e saltou pelo portão aberto, do alto da torre do sino disparos começaram a abater os monstros, era Marilia, no ponto de vigia.
João se virou e viu que os inferno realmente chegara á terra, criaturas vermelhas, negaras e verde-bile, cada uma com um deformidade diferente da outra, chifres, rabos pontiagudos, asas de morcego, bocarras cheias de presas venenosas babando, olhos e cascos fendidos.....
- Demônios – disse Estela – de verdade, não me assustaria se visse o velho anjo caído, andando por aí, e acho que veremos, se sobrevivermos.
- Por isso não podem entrar aqui, finalmente este solo serve para alguma coisa.
- Mas isso só vale enquanto existir um homem de Deus dentro deste terreno, é a fé dele que mantém o local salvo.
- Má notícia, o padre está nas últimas, pelo menos estava quando saí de manhã – se levantou e colocou a menina em pé, a sua frente – eles têm como saber se o local não é mais seguro.
- Não sei João, infelizmente.
Marilia, uma ex-doméstica, acertava um a um os demônios, o rifle que usava possui um mira telescópica, e seus óculos de visão de calor a ajudavam muito com toda aquela névoa, alguns demônios se aproximaram dos portões escancarados, para sorte dos que estavam para dentro um deles resolveu entrar no solo sagrado e foi reduzido a cinzas quando pôs o casco fendido na grama, os outros recuaram, o exemplo fora bastante esclarecedor, nenhum dos demônios ousaria entrar ali. Foi quando um dos com asss resolveu investir por cima da grade, ao adentrar o território, pareceu ter recebido um peso extra nas costas, mas continuou, deu um rasante e agarrou Estela, antes de João poder sacar seus revolveres o demônio largou a menina com um grito de dor, saí fumaça de suas mãos, a menina parecia ter seu próprio escudo abençoado.
- Não entendi, não entendi nada mesmo – Estela olhava para o céus e acompanhava o vôo irregular da besta ferida, seus olhos o acompanharam até ele se juntar a turba de seus semelhantes.
- Você é uma criança – disse uma voz atrás deles – uma criança abençoada, nunca eles conseguiriam encostar os dedos imundos em você Estela, filha de Alda, finalmente seu dia chegou.
Era Josué, Padre Josué, ele odiava ser chamado de padre, estava em pé, após longos dias na cama, em pé no vão aberto das maciças portas de carvalho da igreja, portas que tinham cerca de duzentos anos.
- Entrem rápido, só de olhar para estas bestas eu já sinto o veneno novamente no meu corpo.
João pegou Estela e entraram na igreja, a pesada porta bateu atrás deles, num segundo João se deu conta de todos os seus companheiros na igreja, algo que nem ele sabia explicar, mas se tornara comum nos últimos meses, uma quase onisciência de ambiente. Eles vieram e o cumprimentaram.
- Achamos que estava morto João – disse o garoto Michael – pensamos que você já era.
Do alto da torre do sino, mais disparos e um grito de alegria.
- Comam chumbo seus demônios de merda – seguida por uma risada – perdão Deus, mas nunca foi tão divertido estar do lado certo.
- Acho que a Marília está se divertindo – comentou Rebecca – para quem não conseguia segurar uma pistola ela está manejando bem o rifle.
- Todos nós tivemos de mudar, abandonar nossa natureza pacífica e virarmos guerreiros do fim do mundo – Gustavo se sentou em um dos bancos da igreja, parecia muito cansado.
- Essa é a nossa natureza – disse Estela – a sobrevivência é nossa natureza, virar guerreiro foi fácil, difícil vai ser voltar ao normal, se tivermos oportunidade pra isso.
- De certo modo eu concordo com a garotinha – Joana estava afastada do grupo, mas se aproximava por trás da menina, passou a mão pelos cabelos de Estela e completou – acho que nunca mais vou conseguir fazer nada normalmente, não depois de ver do que somos capazes.
A luz mortiça que atravessava os vitrais da igreja dava a todos aparência de estátuas, e exceto pelo movimento das bocas e o som da conversa todos eles passariam por ídolos perdidos no meio da igreja, santos ou anjos de mármore desarrumados no corredor.
- Acontece, que provavelmente isso acaba hoje – a voz do padre não era de pesar, mas sim de alívio – estou certo Estela?
- Creio que sim, senti várias presenças de luz nas almas que vi no caminho para cá, muita luz, e muita treva também.
- Acho que os bispos foram postos em movimento – o padre se ajoelhou de frente para a menina – quem está mais próximo?
- Baal Ial, ou Belial, o próprio pai dos demônios, creio que o próximo será Samael.
- Deus pai misericordioso - disse Paulo – eles não brincam em serviço, e por nós quem já está aqui, você sabe Estela?
- Ninguém está aqui por nós – disse a menina - só nós mesmos.

Luiz Carlos Degrande Junior04/03/2006



Luiz

Asian Kung Fu Generation - Kimi no Machi Made
a imagem é de HL2 - Chapter 6 - We Don't Go To Ravenholm

2 comentários:

minofez disse...

cara, juro uqe já eh a segunda vez q tento ler e não consigo, li o seu blog inteiro, menos o texto a seguir..... ouch

Luiz disse...

acontece.......

é bom saber, daí eu num posto mais textos muito longos...

abraço fio..